Uma história de resistência, união e luta iniciada na década de 1952  por um grupo de jornalistas capixabas

Arquivo Sindijornalistas

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Espírito Santo (Sindijornalistas) foi criado oficialmente em 1979, mas o embrião da entidade começou a ser gestado por volta de 1954, quando um grupo de jornalistas capixabas iniciou a busca por melhores condições de trabalho e se organizou em uma associação.

Em 1952, quando surgiu a Folha do Povo, praticamente não havia profissionais na imprensa capixaba. A criação do jornal representou uma renovação na imprensa local e motivou, dois anos depois, o surgimento da Associação dos Jornalistas Profissionais do Espírito Santo, presidida por Vitor Costa.

A Associação dos Jornalistas participou da criação da Central Sindical no Espírito Santo e da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). A entidade conseguiu incluir o repórter fotográfico na função de Jornalista e lutou para a inclusão da profissão na CLT. Desde essa época, já havia a disposição de criar uma entidade sindical. Depois de participar das comemorações de 1º de maio, em Moscou, a entidade foi considerada “comunista” e passou por maus momentos durante o governo de Carlos Lindenberg, quando houve a tentativa de intervenção na instituição.

Em 1979, com  atuação marcante da Associação dos Jornalistas, foi criado o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Espírito Santo, tendo com presidente o jornalista Rogério Medeiros. Foi na sua gestão que houve a assinatura do primeiro acordo de trabalho com as empresas de comunicação e a categoria conquistou o piso salarial de cinco salários mínimos. O Espírito Santo foi o primeiro estado do País a conquistar essa vitória.

Ainda em 1979, a imprensa capixaba passou por uma verdadeira reviravolta, com a formatura da primeira turma de Comunicação Social da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e a exigência do registro profissional para o exercício da profissão.

Três anos depois, Tinoco dos Anjos assumiu a presidência do Sindijornalistas, num período de grande mobilização e desafios para a profissão. Por causa de uma greve por melhores salários e condições de trabalho, o Grupo João Santos fechou o jornal A Tribuna em março de 1983. Os jornalistas Chico Flores e Romero Mendonça fizeram greve de fome.

Sergio Egito foi o terceiro presidente do sindicato e assumiu o mandato num período em que o mercado era bastante restrito. Foi na sua gestão que ocorreu o primeiro acordo de trabalho com o Grupo Buaiz e que A Tribuna voltou a circular, com a garantia de respeito ao piso de cinco salários mínimos.

Na gestão de Dílson Ruas, o sindicato participou da luta da Fenaj para unificação da data-base da categoria e ampliou as discussões em torno dos acordos salariais com A Tribuna. Dílson Ruas renunciou ao mandato nove meses antes do término da gestão e a presidência foi assumida pela vice, Fátima Côgo. Durante sua breve gestão, houve a reformulação do Estatuto do Sindicato e foi dada continuidade à luta por melhores condições de trabalho e salários aos profissionais que atuavam no governo. Fátima iniciou uma campanha contra a inadimplência, junto aos associados, para tirar a instituição do vermelho.

Em seguida, Suzana Tatagiba assumiu a presidência, sendo a primeira mulher eleita para o cargo. Ela trabalhou na aproximação com outros sindicatos e pelos acordos coletivos. Enfrentou, ainda, as greves dos jornalistas da RTV-ES e da TV Capixaba. Foi na sua gestão que o sindicato conseguiu agilizar as cobranças de mensalidades, o que possibilitou à entidade comprar móveis, um computador e mais uma linha telefônica.

Suzana foi sucedida por Fabiano Mazzini, que trabalhou para manter as contas do sindicato em dia e melhorar os acordos salariais com todas as empresas de comunicação. Fabiano assinou o primeiro acordo com a TV Capixaba em 1995.

Sueli de Freitas sucedeu Fabiano na presidência. Em sua gestão, o sindicato enfrentou lutas pela consolidação dos acordos coletivos e se aproximou de outros movimentos sindicais.

Após Sueli, assume a presidência da instituição a jornalista Mônica Santos, do jornal A Tribuna. Nesse período, o Sindicato focou sua atuação na questão sindical e nos acordos coletivos. A sede da instituição foi transferida para o bairro de Lourdes, em Vitória. Mais logo depois retorna para o Centro da capital.

Após Monica Santos, é eleita novamente para a direção do Sindicato a jornalista  Suzana Tatagiba. Eleição essa,que após um longo período de candidaturas únicas, ocorreu em uma acirrada disputa entre duas chapas, o que levou a pleito para um segundo turno.  Foi um período e que diretoria do Sindijornalistas trabalhou a questão sindical e as relações de trabalho, conseguindo controlar a sobrejornada com a instalação de relógios de ponto nas redações. Nesse período, a sede do Sindicato é transferida para o Edifício Ruralbank, no Centro de Vitória. Suzana é reeleita para mais um mandato no qual a qualificação profissional  foi prioridade da gestão, através da realização de cursos, oficinas e debates.

Nas eleições de novembro de 2012, assume a direção do Sindijornalistas a jornalista Marília Poletti, que já havia participado da diretoria executiva da entidade em duas gestões e integrado a Comissão Nacional dos Jornalistas em Assessoria de Comunicação da Fenaj (2005/2007). A atual administração é marcada pela exigência do cumprimento da jornada legal dos jornalistas de 5 horas; luta pela formação superior em Jornalismo para o exercício da profissão; no enfrentamento da violência contra jornalistas. Também pela criação da Comissão da Verdade Memória e Justiça do Sindijornalistas, que apurou os casos, no Espírito Santo, de jornalistas vítimas da ditadura militar, entre 1964 e 1968; da criação da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial e de Gênero (Cojira-ES).

Em 2018 é eleito Douglas Dantas (reeleito em 2021) que assumiu a direção da entidade em um ano de muitos desafios para a classe trabalhadora com a aprovação da reforma trabalhista em 2017, de ataques a luta sindical, de hostilidade a jornalistas no exercício da profissão e a pandemia da Covid 19, agravada pelo governo negacionista de Bolsonaro, que vitimou muitos jornalistas. Mesmo diante de fortes desafios o sindicato passou a ter sede própria. E mesmo com o fim do imposto sindical, a luta sindical não parou e as contas equilibradas. No enfretamento a pandemia da Covid-19 o sindicato atuou cobrando políticas públicas e das empresas medidas sanitárias para proteção dos jornalistas.

PRESIDENTES DO SINDIJORNALISTAS

Rogério Medeiros
25/09/1979 a 24/09/1981

Tinoco dos Anjos
25/09/1982 a 24/09/1985

Sérgio Egito
25/09/1985 a 22/09/1988

Dílson Ruas
23/09/1988 a 10/01/1991

Fátima Côgo
11/01/1991 a 22/09/1991

Suzana Tatagiba
23/09/1991 a 22/09/1994
23/09/2003 a 22/09/2006
23/09/2006 a 22/10/2009

Fabiano Mazzini
23/09/1994 a 22/09/1997

Sueli de Freitas
23/09/1997 a 23/09/2000

Mônica Santos
24/09/2000 a 22/09/2003

Marília Poletti
23/10/2012 a 23/10/2015
24/11/2015 a 23/11/2017

Douglas Dantas
24/11/2017 a 22/11/2018
23/11/2018 à 23/11/2021

Suzana Tatagiba
24/11/2021 a 23/11/2024

Marília Poletti
24/11/2024 a 24/11/2027